UNLOCK: Pedro Mendes

Concrete Jungle

UNLOCK: Pedro Mendes

por27 Mar 2017 lmanifesto

Esta semana, o Unlock escreve-se no masculino. Entrámos num luminoso apartamento situado numa das artérias principais de Lisboa. Do outro lado da porta, estava o nosso anfitrião, Pedro Mendes.

Bem receber, aliás, é um dos traços que o define. Durante anos, quem entrasse na sala de desfiles da Modalisboa era recebido por um sorriso que se fazia notar a milhas: Era Pedro. 

Nessa manhã, fomos agraciadas por esse sorriso, enfatizado por estar na esfera privada rodeado de histórias para nos contar.

 

Texto e Fotografia: Soraia do Carmo

Começou a trabalhar em moda, através de um convite de Manuela Oliveira, responsável pelo gabinete de imprensa da Modalisboa. Esta parceria começou em 2008 e prolongou-se até Outubro de 2014. De forma muito vincada, tanto a  Moda como a Comunicação são duas áreas que se intercedem em Pedro. E continua vinculado às mesmas, até hoje. Estava a tirar o mestrado em Relações Públicas quando Manuel Reis, dono do Lux, lhe fez um convite para ingressar um novo projecto, o Rive Rouge, a paredes meias com o restaurante Papa Açorda, no Mercado da Ribeira. 

Estou a fazer a gestão de recursos humanos e gestão de equipa. E desde Outubro que tenho trabalhado com o Manuel, o que é uma experiência enriquecedora! É tudo pensado com calma, as coisas são muito bem estruturadas. Como ouvi alguém chamar: “ele é um designer da noite”. É uma pessoa muito interessante e tenho aprendido muito com ele nesta arte de bem receber. 

Trabalho de dia, faço todo o trabalho de backoffice durante o dia, vou para o Rive Rouge, abro as janelas e vejo o Sol a entrar naquele espaço. Vejo se está tudo bem, abro a porta ao Dj, continuo a trabalhar no escritório, e dou apoio a quem precisa. É durante o dia que se resolvem alguns problemas, que se recebem os currículos, ou pens e cds com música. É durante o dia que faço os contactos, e tudo o que é necessário para que, ao cair da noite, tudo esteja pronto para receber as pessoas!

A dada altura da nossa conversa, a luz exterior ténue e branca entrava pelas janelas da sala, e Pedro salientou essa mesma luz que o cativou desde a primeira visita.

Estávamos a ver outra casa quando a Senhoria nos disse que tinha mais um apartamento. Assim que aqui chegámos, dissemos logo que queríamos ficar com a casa! O que me atraiu mais foi a Luz e o facto de estar situada numa avenida. É algo que adoro: abrir a janela e estar numa avenida com amplitude. Há muitos jovens a viver aqui, há muitas culturas que se convergem e há muita vida. À noite, quando chego a casa, há sempre carros, pessoas, lojinhas de conveniência abertas. No último sítio onde morei não tinha isto, por isso sinto esta diferença. Há vida aqui. Há muitas pessoas a mudarem-se para esta zona dos Anjos, é uma zona muito procurada e cool. 

Começámos a dissecar os componentes visuais da sala, primeira divisão onde nos sentámos para conversar. 

Adoro revistas de moda. Estão num "montinho" e são sobretudo de moda masculina. Gosto muito de publicações espanholas, têm sempre bons conteúdos. Um dia, estava no aeroporto de Madrid e descobri uma revista que se chama Icon. Entusiasmei-me com a revista e tentei sempre comprá-la a partir desse momento. Quando algum amigo vai a Espanha, eu peço para trazer. Então, estou a coleccioná-la, e já tenho alguns números que adoro. O conteúdo é óptimo e as capas também!

Depois, estou a criar uma colecção de albúns em vinil. A maioria foi-me oferecida, mas também compro bastantes na Feira da Ladra.

Este print veio de uma exposição que o Vhils fez, há uns tempos. Demorei algum tempo a decidir se ia comprar uma das obras dele e, quando finalmente a quis comprar, tinha esgotado. Decidi, então, emoldurar  apenas o cartaz da exposição. (risos)

A minha melhor amiga inspirou-se numa foto que viu no Lux, e fez-me estas almofadas que coloquei aqui na cama.

O meu charriot. Não sabia se queria ter a roupa num armário, ou num charriot, mas optei pelo último. Assim parece que estamos em ambiente backstage de um desfile. (risos)

Neste recanto tenho mais revistas e um símbolo da paixão que tenho pelo ténis. Tinha esta raquete na casa dos meus pais há muito tempo, e decidi trazê-la comigo para Lisboa. Quanto a este porquinho, foi-me oferecido num aniversário. Na altura, tinha tido um acidente com o carro, e os meus amigos, em tom de brincadeira, decidiram oferecer-me um porquinho mealheiro para o arranjo! Foi engraçado! (risos)

Este quadro, trouxe-o de uma viagem que fiz pela Ásia. Estava no Vietname, ia a passar na rua e vi umas pinturas que me chamaram a atenção; entre elas, estava um retrato deste género do Che Guevara, e pensei que queria um desses quadros. Entrei na lojinha, e a verdade é que eu e o meu amigo conseguimos regatear e trouxemos dois quadros. Gosto muito dele.

Esta moldura... Tem uma história! A Gisela João deu um concerto no Lux quando lançou o primeiro álbum, e isto é o alinhamento. Nessa época, eu trabalhava no Lux e encontrei esta folha no final do concerto, então guardei-a no meu cacifo. Um dia mais tarde, ela regressou ao Lux para um concerto com os Linda Martini e eu, timidamente, fui ter com ela. Mostrei-lhe a folha que tinha guardado e perguntei-lhe se ela não se importava de assiná-la. Ela achou graça e assinou. E, hoje somos amigos! Gosto muito dela e desta história, então acabei por emoldurar a folha.

Guardo aqui todas as fitas de festivais e de eventos onde fui. Gosto de guardar estas memórias. Algumas delas estão escritas por dentro, com detalhes de onde são, da data do evento, etc...

A cozinha é um local onde passo algum tempo. Gosto de cozinhar, acho que não tenho muito jeito, mas vou aprendendo algumas coisas, até com alguns blogs de culinária.

Mais uma das minhas colecções patente na porta do frigorífico. São uma representação dos locais por onde passo. Mas alguns deles foram-me oferecidos por amigos.

Mais uma vez, a luz desta casa!… Muitas vezes venho para este recanto, sento-me em cima da máquina e tomo o pequeno almoço com a janela aberta. Este lado da casa é muito silencioso, quase não parece que estamos no centro da cidade.

 

Fazia sentido terminar assim a visita,  a falar da tal luz incrível e com um daqueles, não menos incríveis, sorrisos do Pedro.

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