UNLOCK: Mariana Perestrelo

Lifestyle

UNLOCK: Mariana Perestrelo

por16 Jan 2017 lmanifesto

Nasceu no Rio de Janeiro e chegou a Portugal com menos de dois anos. Apesar das experiências profissionais em Paris e Nova Iorque, é em Portugal que Mariana se sente em casa e onde tem ganho o merecido espaço para dar asas à sua criatividade. Tem participado na criação de inúmeros projectos, com o objectivo de dinamizar a cidade de Lisboa e a cultura urbana. Apaixonada por arte, Mariana Perestrelo iniciou a sua carreira no mundo da moda, mas acabou por enveredar pelo ramo da comunicação, ligada ao lifestyle.

Fomos saber mais sobre a Directora de Comunicação de Lifestyle da M Public Relations, que nos recebeu em sua casa com um sorriso constante, e nos falou sobre o seu percurso profissional, a sua ligação tão íntima com a arte e as diversas obras que tem vindo a coleccionar, numa casa repleta de objectos com muita história.

 

Texto: Filipa Leal

Fotografia: Soraia do Carmo

"Acho que a paixão pela moda sempre existiu, sempre gostei de moda. Mas quando tive de optar por uma área e um curso, escolhi Publicidade e Comunicação, e acabei por ir para Comunicação Empresarial. Tínhamos de fazer estágios obrigatórios, desde o primeiro ano; resolvi, então, experimentar a moda e o meu primeiro estágio foi na revista Elle. Depois, estive um ano em Paris e outro em Nova Iorque, onde também estive sempre envolvida com a moda."

"Quando voltei para Portugal, convidaram-me para trabalhar no showroom da agência de comunicação Arranca Corações, que hoje se chama Birdsong. A partir daí, comecei a trabalhar muito a comunicação de marcas ligadas à moda. Depois, ao longo dos anos, fui abrindo o espectro, fazendo menos moda e passando mais para marcas de lifestyle. Tive a minha própria empresa, mas isso não me deixava explorar a minha criatividade, ou fazer o trabalho no terreno que eu tanto gostava. Surgiu, então, a oportunidade e o convite do grupo JLM, que detém a M Public Relations, para abrir o departamento de lifestyle, onde continuo até hoje."

"Tenho muitos amigos ligados às artes. Amo pessoas e sou muito sociável, sempre fui. Costumamos dizer que os bons amigos se contam pelos dedos mas eu, felizmente, acho que tenho bem mais do que isso! Adoro conhecer pessoas todos os dias, aliás, a minha casa é um reflexo disso - adoro receber pessoas e isso reflecte-se na decoração e organização da casa."

"A arte tem um papel muito importante na minha vida. Serve para me inspirar no meu dia-a-dia, é uma coisa muito pessoal. Estou sempre atenta às coisas e a arte é uma inspiração a todos os níveis, para trabalhar, para me vestir e até para decorar a casa."

"Obviamente que, na minha área, acabo por me envolver com pessoas muito ligadas às artes e, sobretudo, à música. A minha mãe é apaixonada por arte e incutiu-me, desde pequena, a ir a exposições, a concertos de música clássica e a falar muito sobre arte. Adorava ter dinheiro para poder investir mais em arte, mas vou juntando e, sempre que posso, vou comprando uma ou outra peça de um amigo."

"Esta foi uma peça que o meu namorado me ofereceu no meu aniversário, da Kruella D’Enfer, e que eu gosto muito. Também tenho fotografias do Nuno Barão, um amigo meu, que hoje em dia é P.A. da Joana Vasconcelos; tem um potencial gigante, não só em fotografia."

"Esta obra é do artista plástico Filipe Pinto Soares, de quem também sou amiga; já fez muitas exposições e trabalha também em parceria com o artista Mário Belém."

"Nesta parede, tenho uma obra que me foi oferecida pela minha mãe, de uma artista espanhola chamada Eva Armisen. Coloquei também algumas caixas que herdei da minha avó, fotografias do Rui Aguiar e uma obra da Lara Goa, uma artista de Nova Iorque." 

"Os meus avós tiveram um grande papel na minha vida, sobretudo a minha avó. Era a minha segunda mãe e eu tinha uma relação inacreditável com ela. A casa dela parecia um museu mas, infelizmente, não era dela, portanto tivemos de vender quase todas as peças... Eu fiquei com algumas e uma delas é este rádio magnífico. O quadro é uma peça Arte Déco que cresceu comigo, trouxe-o de casa da minha mãe".

"A máquina de escrever era do meu avô, foi a primeira máquina dele. Por cima dela, um espelho Arte Déco, oferecido também pela minha mãe. E, claro, muitas revistas e muitos discos."

"Gosto muito de coleccionar frascos de vidro, alguns foram herdados dos meus avós, os outros são peças que fui comprando em feiras e coleccionando."

"Tenho um pequeno "altar" na minha casa de banho, com objectos de que gosto muito, como flamingos, fotografias antigas e barbies. Faço a comunicação da Mattel, por isso tenho muitas barbies e bonecas em casa."

"Esta é uma peça que comprei recentemente, é uma sweater que eu adoro, só tenho pena que não seja “Marie in Wonderland”, como os meus amigos me chamam."

"Tenho imensas peças de roupa da minha avó. Usei este vestido na inauguração da Vuitton, é lindo e bastante actual. Quando a minha avó morreu, herdei muita roupa dela, porque somos só duas netas e tudo me servia na perfeição. Prometi a mim mesma que, durante um ano, iria usar uma peça da minha avó todos os dias, mesmo que fosse só um lenço ou um acessório (mas normalmente até era mesmo roupa). E cumpri a promessa!"

"Este é um dos meus vícios: malas e carteiras. Herdei muitas da minha avó, algumas vintage também da minha mãe e, ao longo da minha vida, fui comprando várias, porque sou um bocadinho viciada em carteiras... Agora parei um pouco, porque quando compro uma uso-a até à exaustão e esqueço-me das outras todas. Mas é um vício enorme."

"No piso de baixo ficam os quartos dos meus filhos. Estão praticamente iguais há cerca de 7 anos, não mudei muito. Restaurei muita coisa, como as cabeceiras das camas, que são peças antigas que eu adaptei. Hoje em dia, há um mundo de opções de decoração, tanto para adultos como crianças, mas há 7 anos não havia assim tanta coisa."

"Os papagaios foi o pai que lhes trouxe de Bali. As almofadas da saga Star Wars foram oferecidas agora, pelo Natal. A Guerra das Estrelas é a nova paixão deles, mas primeiro foram os bonecos da Playmobile. O Zé Filipe era viciado!"

"Esta cadeira também era uma peça da minha família; como adoro capulanas, forrei-a e coloquei-a aqui."

Mariana confessa que tem "sede" de cultura e de arte e que planeia passeios em família regularmente, incluindo diversos eventos e espectáculos, para incutir a mesma paixão aos filhos, Mateus e Zé Filipe. Além do trabalho como Directora de Comunicação, Mariana tem-se dedicado também à dinamização da cidade de Lisboa, através de novos eventos e espaços, que têm como principal objectivo reinventar a cultura urbana.

"Acho que Portugal está a ganhar uma projecção como nunca teve, sobretudo a cidade de Lisboa. Gosto muito de ver que todos os dias abrem espaços novos, restaurantes, bares, clubes e mercados; isso deixa-me muito orgulhosa. Muitos dos projectos nos quais tenho participado, como o Outjazz, a Praça do Martim Moniz e os Topos, foram ideias do pai dos meus filhos. Ele é um visionário e acabámos por unir forças e conseguir realizar os projectos dele, com o meu apoio na área da comunicação."

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