UILA : um exotismo sofisticado

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UILA : um exotismo sofisticado

por12 Jun 2017 lmanifesto

Tudo começou com uma história de amor. Um amor lindo que se desenrolou ao sabor de um ritmo musical exótico.

Estávamos em 1978, na Huíla, uma província do sul de Angola, quando os primeiros passos de um futuro, que é hoje presente, foram dados.

O destino encarregou-se de juntar Marina e António, os dois primeiros capítulos de um romance, que foi crescendo e que marcou o compasso e o ritmo daquela que viria a ser uma história repleta de amor, de orgulho pelas suas raízes e, por fim, de criatividade.

Desse orgulho, dessas referências ricas e exóticas mas, mais importante de tudo, desse sentido de família tão forte nasceu Uila, umas das marcas sobre o radar need to know.

 

Texto: Margarida Marinho

Fotografia: Dulce Daniel

Não é difícil entender que o nome constitui uma homenagem mais do que merecida ao local onde tudo começou e, ao mesmo tempo, acrescenta aquele toque único e mágico, traz aquela brisa quente com tom terracota misturado com um verde saturado que nos transporta para as terras quentes angolanas.

Porém, ao contrário do que seria de esperar e que talvez denote um “pré-conceito” nosso, mais do que tudo, a Uila transmite-nos uma aura de sofisticação quer pelos tecidos e formas quer pela paleta de cores escolhida não esquecendo, ainda, um mood urban classy que nos surpreendeu e apaixonou.

Rita Subtil, um dos frutos dessa história de amor, juntamente com a sua mãe, Marina, são as protagonistas desta história. Fomos até Vila Nova de Gaia entender um pouco mais sobre esta paixão e ligação com a Angola que se espelha de uma forma constante, mas subtil nas criações da marca.

Engraçado será dizer que Rita personifica o ADN da Uila, alta, morena de cabelo escuro, com traços exóticos mas delicados. #exoticbeauty

 

 

Eu nasci no Porto mas os meus pais nasceram a Angola: a minha mãe no Luabango e o meu pai, no norte. Conheceram-se em Luanda, casaram e viveram lá, mas na altura complicada da descolonização, tiveram de regressar a Portugal. Em 1982 eu nasci.

 

 

Fui pela primeira vez a Angola em 2008, creio eu. Foi o concretizar de todas as histórias e imagens que ouvia ao longo da minha infância. Os meus avós, a minha mãe e o meu pai nasceram e cresceram lá. Nas primeiras vezes em que lá fui, adorei mesmo, era tudo diferente, mas ao mesmo tempo era familiar, quanto mais não seja, pelas histórias que ouvia que criaram imagens na minha memória. Mas, sem dúvida, que aquelas paisagens e aquela beleza me encantavam.

O facto de os meus pais terem crescido em Angola faz com que tenham uma personalidade com traços muito próprios e, claro, isso também passou para mim embora seja do Porto.

Os meus pais voltaram e, hoje em dia, vivem entre lá e cá, por isso a minha relação com Angola continua muito forte.

Já tínhamos outra marca apenas para o mercado angolano, mas sempre sentimos a vontade de criar algo para o mercado ocidental. Em 2016, sensivelmente, pusemos a ideia em prática e começámos a pensar nesta marca, a definir a estratégia e mercados-alvo, e lançámos a Uila.

 

Huíla é a província à qual pertence a cidade de Lubango, onde a minha mãe nasceu. Fazia todo o sentido adoptar esse nome pela história que tem e pela sonoridade, que transmite algo de étnico. Quisemos deixar bem claro que esta foi uma marca que surgiu desse amor, que nasceu em 1978.

Uma marca que vive de relações, de experiências e memórias e, necessariamente, sonha em perpetuar esses sentimentos nas suas criações. #uniqueness

Sempre pensámos a Uila como uma marca com espírito africano mas de uma forma subtil, não exagerada. Não é necessário haver peças com cortes típicos para se sentir um pouco de África. Embora gostemos muito de tudo o que faz parte da cultura africana, sempre estivemos muito atentas às tendências e ao que se passa no mundo da moda e, para nós, é fundamental que a marca reflicta esse desejo e essa contemporaneidade. A fórmula é precisamente a de ter um produto com um design actual, mas com um apontamento étnico. À medida que as clientes vão conhecendo as peças, vão explorando até o próprio site, vão descobrindo pormenores únicos que foram pensados por nós e que trazem algo de especial à peças.

Nem eu nem a minha mãe temos, no que respeita à formação, qualquer ligação com alguma área de criação: a minha mãe é formada em Psicologia e eu em Gestão de empresas. Porém, desde pequena, dizia que queria ser estilista, não fui porque achava que não tinha jeito nenhum para desenhar. Há alguns anos as coisas ainda funcionavam assim… é uma interpretação que, hoje em dia, não faz sentido. Portanto, acabei por ir para gestão, quiçá por influências do meu pai que trabalhava na área, e porque, naturalmente, é um curso bastante abrangente e que, hoje em dia, me fornece um know-how que me ajuda imenso.

 

Eu e a minha mãe sempre gostámos imenso de moda, lembro-me de ser miúda e ir à primeira edição do Portugal Fashion e de adorar! Dentro da estrutura da Uila, a minha mãe é o pilar criativo, as colecções são idealizadas por ela, pensa no mood global da colecção e, depois, juntas, vamos trabalhando ponto a ponto. Eu fico mais dedicada às tarefas relacionadas com o nosso website, e todas as questões ligadas à gestão e divulgação, mas também ajudo na parte criativa.

Entender a simbologia da galinha-d´Angola faz agora com que tudo faça ainda mais sentido, o seu protagonismo tem uma explicação.

 Sempre adorámos a galinha-d’Angola e a sua simbologia e quisemos construir a marca e o logótipo a partir dessa imagem. A galinha-d’ Angola normalmente tem penas pretas e em algumas aparecem umas pintinhas brancas que propositadamente adoptámos como acento do i, em Uila. Sempre foi um animal do qual gostámos imenso por vários motivos: porque é muito bonito; porque está intrinsecamente ligado a Angola e porque, simbolicamente, lhes foram atribuídos os valores como o respeito pelos animais e pelas raízes. Fazia todo o sentido que fosse a nossa mascote porque “personifica” alguns dos valores incontornáveis da marca.

Somos fiéis defensoras dos direitos dos animais, já fiz alguns trabalhos em algumas associações, e a escolha deste símbolo acaba por representar a nossa vontade de nunca usar materiais de origem animal.

Não quisemos tentar fazer coisas muito difíceis e sofisticadas em termos técnicos e de modelagem porque não tem nada a ver connosco, no entanto, cada peça tem um detalhe especial, algo pensado, como por exemplo, um bordado!

 

Os estampados são desenhados por nós, achamos que têm mais valor, que são mais especiais e faz mais sentido.

É uma marca que é feita à nossa semelhança, claro que há coisas com as quais nos identificamos mais do que outras. Por exemplo, normalmente, não uso vestidos mas isso não faz com que não tenhamos essa categoria de produto. Mas quando nos perguntam quem é a nossa cliente, em quem pensamos quando estamos a criar eu digo que penso em mim, em nós. Numa cliente que se cansou da oferta de fast fashion e que procura coisas diferentes, originais e com significado. São colecções exclusivas, ou melhor, mini-colecções, em que privilegiamos a qualidade dos tecidos e a confecção, que é toda feita na área do Porto.

 

Acredito que há pessoas que estão dispostas a pagar um bocadinho mais por uma peça com mais qualidade e porque procuram aquilo a que podemos chamar de “tranquilidade de espírito” porque sabem que não estão a contribuir para este negócio tão pouco sustentável. As pessoas estão cada vez mais conscientes e alerta para estas questões.

A nossa ideia é a de estar num nível de affordable luxury. Queremos apresentar e trabalhar a nossa qualidade máxima em termos de tecido e confecção e não pedir margens absurdas. Essa é a nossa maior preocupação e maior desejo!

 

Não é só pelo interesse comercial, mas ver como cada pessoa combina as peças e as usa de uma forma tão única, isso sim, é muito especial. E depois, claro, sentir o feedback das clientes e perceber o que mais gostaram, é muito recompensador!

As pessoas procuram coisas que as façam sentir, boas experiências e é muito por aí que queremos ir!

Sentir, valorizar e amar. Três palavras plenas de significado e especiais como poucas. Palavras que espelham a mensagem que Marina e Rita tão dedicadamente trabalham e que esperam que contagie quem tem o prazer de tocar e entender a beleza de cada peça Uila.

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