João Paulo Sousa

João Paulo Sousa

Foi num oásis, no meio da cidade de Lisboa, que marcámos encontro com o nosso novo convidado.

O dia estava super moody: a cada meia hora, passávamos de um tão desejado sol, que nos aquecia a alma, para um vendaval demoníaco que, inevitavelmente, terminaria na tão entediante chuva- reminder perfeito de que ainda estamos em pleno mês de Abril.

Para contrariar esta instabilidade meteorológica, deparámo-nos com uma corrente de good vibrations constante que emanava do breve convívio com o nosso convidado: energia, autenticidade, boa disposição e motivação para dar e “oferecer”.

Muitas foram as entrevistas que lemos durante o processo de preparação para o tão aguardado tête-a-tête que teríamos. Ao longo destas pesquisas prévias, há sempre algumas características que saltam à vista e que queremos confirmar e, neste caso em particular, destacou-se uma mensagem e posturas incrivelmente positivas face às intempéries e infortúnios da vida, com experiências nem sempre cor-de-rosa e poucas vezes associadas à vida das celebridades.

A verdade é que, assim que entrou no nosso bungalow em plena Floresta de Monsanto, João Paulo Sousa trouxe com ele uma lufada de ar fresco, gargalhadas sinceras e uma capacidade inata para conversar e contar histórias.

5 minutos depois, a dúvida estava mais do que desfeita: João é tal e qual como o vemos na TV ou nas suas entrevistas no canal do Youtube- bem-disposto, enérgico e super simpático.

Desvendado o mistério, o L Manifesto dá as boas-vindas a João Paulo SHOWsa. #showman

 

Fotografia: Maria Rita

Make up: Joana Bernardo

Cabelos: Fábio Oliveira com produtos Redken (Beauty Partner)

Produção e texto: Margarida Marinho

 

Agradecimento especial ao Parque Lisboa Camping e à Dockers

 

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Sem filtro

O ponto de encontro estava marcado para as 15h, no Lisboa Camping.

Um spot de cortar a respiração. Acima de tudo por nos isolar de toda a confusão da cidade e proporcionar, por breves instantes, a capacidade de nos restabelecermos e reunirmos com a nossa essência. Ali somos unicamente embalados pelo chilrear dos pássaros e pelo inigualável perfume da relva e da terra molhadas. #unique #smellslikechildhood

Um parque de campismo rústico, típico, com bungalows em trave de madeira e cortinas kitsch maxi florais, espalhados pelas pequenas colinas da floresta de Monsanto.

Naquela imensidão, e enquanto explorávamos o parque, encontrámos “perdida” no meio da mata, uma icónica airstream estacionada mesmo em frente ao bungalow que nos estava reservado- a cereja no topo do bolo. Reunimos ali o cenário perfeito para o que tínhamos em mente e que nos ajudaria, ainda mais, a sair do contexto de uma Lisboa frenética e entrar num mood miniférias ecológicas e mais do que merecidas. #couldntbebetter

Tudo indicava que seria uma tarde bem passada na companhia de um convidado que queríamos muito conhecer e que sabíamos que se sentiria “em casa” num spot como este que seleccionámos para a produção.

Quem é João Paulo Sousa?

Nasceu em Alcobaça, há cerca de 30 anos atrás. Filho único, viveu com os pais até aos 17 anos, momento em que se mudou para Lisboa depois um casting, marcado à revelia pela sua namorada de anos e actual mulher Adriana. Integra, assim de rompante, uma das séries mais vistas de sempre e com imenso hype. Falamos dos “Morangos com Açúcar”.

Podemos dizer que foi graças a Adriana que João ingressou pela representação e, posteriormente, descobriu o gosto pela apresentação.

Nunca tinha pensado nesta possibilidade ou numa carreira em TV, mas num exercício de analepse, olha e consegue destacar alguns momentos em que a sua alma de entertainer fez as primeiras aparições públicas. Teria os seus 10 anos e estava nos jantares de família, daqueles em que participam cerca de 60 pessoas porque só o seu pai tem 11 irmãos. Não era o benjamim, mas pertencia ao grupo dos primos mais novos; lembra-se de subir para a mesa e estar durante 1 hora só a contar anedotas e histórias engraçadas e de, num palco improvisado, tal como hoje, se sentir feliz e preenchido. Quando descia, os holofotes imaginários desligavam-se e voltava ao “anonimato familiar”, João retomava ao seu registo de miúdo com a timidez e incertezas características da idade.

Ainda hoje, não podemos dizer que seja tímido, mas continua sem saber gerir o imenso vazio que sente quando desce do palco ou quando as câmaras se desligam. Talvez seja esse um dos momentos de que menos gosta nesta profissão, mas que sabe que lhe é fundamental para encontrar um equilíbrio e manter os pés bem assentes na terra: Quando paro de trabalhar e quando volto para casa sou uma pessoa normal, que tem de lavar a loiça, que tem de arrumar….

Adora desafios, aprender e tenta superar-se constantemente, odeia fazer sempre a mesma coisa. A palavra desistir não faz parte do seu dicionário, nunca fez. Aliás, o seu percurso reflecte nada mais do que isso.

Mas, voltemos onde começámos. Participou no casting e foi seleccionado, brinca e diz que quando contou aos pais durante o jantar a resposta foi: ”Cala-te e come a sopa!”. Nada o demoveu, algum tempo depois estava em Lisboa a participar nos Morangos com Açúcar, sem qualquer tipo de formação em representação ou referências. Foram tempos difíceis e podíamos enumerar diversas variáveis: o choque de uma mudança, de passar do campo para uma capital desconhecida, do afastamento da sua família que era, e ainda é, o seu pilar, dos momentos de alguma solidão, das dificuldades financeiras, de uma série de mudanças que se atropelavam e tornaram difíceis de ignorar e controlar. No entanto, com muita vontade e perseverança, com a humildade de pedir conselhos e referências aos actores mais velhos e experientes, rapidamente fez com que esses aparentes obstáculos se fossem ultrapassando, acabando por se transformarem em pontos fortes da sua personalidade e do seu carácter.

Começou nos Morangos com Açúcar e interpretou esta fase como uma rampa de lançamento para outros voos, apesar dos seus tenros 17 anos; encarou esta mudança e as dificuldades como uma oportunidade e não baixou os braços. Inscreveu-se num curso de representação na Escola de Actores e em sessões de teatro de improviso onde passava cerca de 1 hora e meia em palco com outros colegas, num esforço conjunto, de criar uma narrativa sem guião ou preparação prévia.

Foi aí que descobriu que este era o seu caminho. Diz que há algum tempo atrás teve essa confirmação:

Assisti a uma palestra do TED talks em que dizia que fazemos o que gostamos quando o tempo vai passando e nós nem nos damos conta. É o que acontece comigo. Já estive 8h em directo e nem dei por isso.

As oportunidades foram surgindo, fruto de um trabalho constante, mas sem nunca dar nada como adquirido. Conta que, quando a sua participação nos Morangos com Açúcar terminou, João começou a enviar CV’s para todo o lado, indiscriminadamente, e chegou mesmo a pensar em trabalhar num supermercado ao pé de casa dos seus pais. Nunca o viu como algo de anormal, mas sim, como um meio que o permitiria crescer, aprender e juntar dinheiro para o que poderia surgir a seguir.

E surgiu. Next stop? Disney Kids! Foi apresentador do programa durante mais de 3 anos. Conta que foi aí que entendeu o valor de se encontrar a si mesmo, de ser fiel ao seu registo e personalidade, da necessidade de ser espontâneo e autêntico.

A minha referência era o Francisco Garcia e ele era incrível no que fazia. Como não tinha nenhuma experiência de apresentação, antes de começar as gravações, estive 1 semana enfiado na produtora a ver programas antigos. Inconscientemente, senti a necessidade de trabalhar dentro desse registo. Lembro-me de, a meio do primeiro dia de gravações, a minha chefe se virar para mim e dizer qualquer coisa como- Ok, vamos terminar e agora vais para casa e amanhã voltas e vais ser o João, não o Francisco!” É normal que haja uma identificação, mas temos de nos afastar e entender quem somos. Se não formos autênticos, o público vai perceber!.

Três anos se passaram e seguiu-se um novo desafio: 5 anos a apresentar o programa Curto-Circuito, na Sic Radical. Ao olhar para trás, diz que para si era quase o equivalente a estar em família, que se sentia à vontade para fazer o que nunca achou possível, porque o fazia com eles e para eles. Quanto ao facto de ser seguido por milhares de telespectadores, isso nunca o inibiu e era uma “condição” que só às vezes se encontrava presente. Descreve este 5 anos como incríveis, mas desafiantes, aliás o desafio foi aumentando de intensidade quando, para além do CC, passou a integrar a equipa do programa da tarde da Sic.

Isso obrigava-me a adaptar-me a registos e públicos completamente diferentes. Se de manhã eu falava com um público mais teen, à tarde falava com um público mais sénior, tinha de ajustar o meu mindset.

O mais mágico nisto tudo, e olhando para trás, é que sinto que houve uma geração que cresceu comigo, que eu fui acompanhando. Que começou comigo nos Morangos, passou pelo CC e agora também me via no Smile com a Diana Chaves.

O seu lema é arriscar, é desafiar-se, sair da zona de conforto, é evitar rótulos que possam moldar o seu perfil versátil. Daí que, ao longo de 10 anos de carreira, já o vimos em diversos formatos: em festivais mesmo ao pé do público ou do lado de lá, no set; a fazer programas para a Sic Caras e Sic Mulher… sempre numa tentativa de se superar, de aprender e crescer e mudar de registo.

Aquele que considera ser o maior elogio? Considerarem-no autêntico e verdadeiro.

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Off-duty

Muito por influência da sua infância vivida no campo, João diz que se encontra numa fase em que é cada vez mais notória a necessidade de se aproximar das suas raízes. Se dantes sentia que, de alguma forma, precisava do seu tempo e de afastar da redoma onde sempre crescera, entende agora que, inevitavelmente, é em contacto com a Natureza que se sente bem. Sempre que pensa em férias surgem na mira destinos paradisíacos com uma ligação forte à natureza, ao campo e à inegável e estonteante beleza natural. Vietname, Cabo Verde, Cambodja são alguns dos destinos destacados.

Conta que foi aos 20 anos, enquanto trabalhava no Disney, que reuniu uma série de condições que lhe abriram as portas para uma nova realidade e para a possibilidade de explorar e conhecer o mundo. O mergulho foi uma dessas experiências que ainda hoje, quase 10 anos depois, se mantém como uma paixão e, sempre que possível, aproveita para praticar num momento a dois.

De resto, afirma humildemente e com um tom irónico:

Sou muito chato. Adoro estar em casa, ver uma série no Netflix e ouvir a música de sempre. Não gosto muito de sair à noite porque há poucas discotecas com o tipo de música que gosto de ouvir- 80’s e 90’s; gosto de beber um bom vinho e sou muito mais uma pessoa do dia. Por mim, levantava-me com o nascer do sol e deitava-me com o pôr-do-sol.

No entanto, como bom garfo que é (diz que se pudesse comeria cozido à portuguesa quase todos os dias) adora fazer jantaradas em casa porque tem a garantia de que vai comer bem.

Mas fazemos aqui um rewind. No que respeita as suas preferências musicais e à falta de locais e/ou festas que tocassem o seu tipo de musica, João arranjou a solução.

Estava na Covilhã, num dos bares mais típicos da estudantada, depois de um trabalho que lá foi fazer com um amigo quando, no decorrer da festa, pediram ao DJ de serviço permissão “passar” umas músicas. A noite revelou-se de tal forma um êxito, que o dono do bar decidiu propô-los a DJ’s residentes. A sua carreira de DJ e animador nocturno começou ali.

Assim, de uma forma despretensiosa e com o intuito de se divertirem e passarem um bom tempo, surgiu o projecto “Insert Coin- Não somos DJ’s mas damos Baile.”

Oh!Mila, D´ZRT, ACDC, Bon Jovi, um repertório infindável que já os leva a festas com um público que ascende as 10.000 pessoas. Vai pelo prazer de ver junto ao palco ou à cabine um público mais jovem, que ainda conhece esses hits dos anos 90, seguido dos seus pais e alguns avós mais cool. É uma ode ao estilo de música dos anos 80 e 90 que tanto gostam, aliada à vontade de proporcionar um momento memorável a quem os segue.

Apesar de ser um hobbie e de não se considerar um músico, João não descura de algumas regras e rotinas que garantem o máximo de profissionalismo e o bom resultado de cada festa. Não poderíamos esperar outra coisa. #superfocused

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O Futuro

A resposta foi peremptória, João Paulo quer continuar em Televisão.

Não descarta a possibilidade de voltar à representação, mas essa não faz parte das suas vontades num futuro próximo:

Há tantos profissionais bons na área, actores mais jovens e da minha idade que dão cartas que, sendo como sou, prefiro focar-me, consolidar o meu conhecimento e a minha aprendizagem na apresentação em vez de estar a dispersar a minha atenção noutras áreas. Quando me meto numa coisa quero sempre tentar ser o melhor e sinto que tenho mesmo de me focar na apresentação.

É um comunicador nato, acreditamos piamente que não foi por acaso que a sua mulher Adriana o inscreveu naquele casting que lhe viria a mudar a vida, talvez soubesse isso mesmo antes do nosso convidado. Porém, nada seria como é se não fosse a sua dedicação, o seu profissionalismo e devoção a este dom que, como em poucos casos, lhe circula no sangue.

Por agora, para além de o ver na televisão, poderá também ter o prazer de o ouvir na rádio, enquanto locutor da Rádio Cidade. Um projecto que acabou de abraçar e que vai, com certeza, dar que falar e mostrar o seu carisma e versatilidade.

Boa sorte João!

 

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