Gonçalo Guerra

Gonçalo Guerra

Tudo aconteceu aos 21 anos. Se quisermos identificar com precisão um momento, um turning point ou desbloqueador, teremos de viajar até Londres.

Gonçalo Guerra, a rising-star da Warner Music, tinha acabado o curso de Engenharia das Energias, preparava-se para escolher a Universidade onde iria prosseguir os seus estudos e fazer o Mestrado. Paris e Londres eram duas das opções mais prováveis, porém, algo lhe dizia que para tomar a decisão certa, deveria parar, tirar um time off e investir num gap year. Ponderar, esclarecer as dúvidas e decidir, esses eram os objectivos. Foi aí que, por sugestão da mãe, e com o intuito de o ajudar a encontrar as respostas e a espairecer, viajou até Londres ao encontro do seu irmão. Um conselho sábio que lhe terá permitido tomar a decisão da sua vida; uma descoberta inesperada que mudaria o seu percurso para sempre.

Num dos seus passeios pela vibrante cidade, mais precisamente quando percorria a famosa Denmark Street, que na Década de 50 se assumiu como a meca londrina da indústria musical, (by the way, consta que os Beatles iniciaram a sua carreia num estúdio com esse mesmo endereço) olhou para uma das vitrinas das diversas lojas de artigos musicais que por ali se encontram e sentiu algo que se assemelharia ao que, trivialmente, chamamos de “amor à primeira vista”. Do lado de lá “sorria-lhe” uma guitarra Little Martin, exactamente igual à do cantor que tanto estima, Ed Sheeran. Sem hesitações, levou-a para casa onde, nessa mesma noite, compôs a sua primeira música ao som de acordes de descoberta de uma nova paixão.

 

Fotografia: Maria Rita

Styling: Patrícia Nascimento

Make up & Hair: Joana Bernardo

Texto e Produção: Margarida Marinho

Editora: Warner Music

Agradecimento especial à Associação Equestre Todos a Galope

Ler Intro

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Como tudo começou…

A música corre-lhe nas veias, não é de agora, ao contrário do que se possa pensar.

Lembra-se de ouvir a avó cantarolar a toda a hora, um hábito que trazia da sua juventude quando trabalhava no campo e malhava o milho. Uma recordação que guarda com carinho. A avó, que ainda hoje o acompanha, trouxe-lhe a presença constante da voz; já a mãe, a paixão pelos instrumentos e pela música: tocava órgão e guitarra. Aliás, foi mesmo por aí que começou, pela guitarra da mãe. Teria uns 7 ou 8 anos.

Ainda frequentou algumas aulas de guitarra, mas sentiu que o método de ensino era demasiado lento para a sua sede e vontade de aprender. Preferia estar em casa a pesquisar, treinar, experimentar e tocar.

Sempre olhei para a música como lazer, nunca pensei vir a fazer disto a minha vida!

Influências indirectas que, hoje em dia, ao olhar para trás, consegue interpretar e entender o quão marcantes foram nesta relação que assumiu.

 

Já compôs dezenas de músicas, explica que tudo vai surgindo sem pensar: inicialmente solta uns acordes, vai improvisando e conjugando a musicalidade de cada palavra para que depois, como se de magia se tratasse, daquela que parecia uma letra sem mensagem aparente, surja uma história com poder e voz. Falamos de uma voz interior autónoma, um subconsciente que junta diversas referências e inspirações, e ganha força e vida a cada nota que se solta, a cada corda que vibra. Segreda que tudo se torna mais fácil quando é cantado, abre-se uma porta com acesso directo ao baú das emoções e das memórias, onde todos os medos e constrangimentos subjacentes a essa exposição parecem esmorecer. O amor, um tema recorrente, uma mensagem de esperança, ou talvez, o estado de espírito em que vive.

Poucas foram as músicas que surgiram com nota de pré-aviso, em que se sentou e pensou que era aquilo que lhe apetecia e que queria fazer, aconteceu com o primeiro single “ Tudo o que és”, que dedicou à sua namorada. Porém, existe ainda uma outra música, ainda por lançar, que fala sobre a sua mãe. Não foi feita a pensar nisso, as palavras foram-se seguindo e surgindo em catadupa até que, quando a terminou, juntou tudo e entendeu que falava sobre uma das pessoas mais importantes da sua vida.

No processo de criação, que se assemelha a uma catarse, Gonçalo solta as amarras, liberta-se, deixa-se ir e fala sobre os seus mais profundos e escondidos sentimentos…. dessa caminhada surgem estas mais belas surpresas.

Ler Capítulo 1

22

O depois...

Voltou de Londres e tudo mudou.

Foi em busca de um estúdio que permitisse gravar os seus trabalhos e dedicar-se a full-time a este novo mundo. Acabou por  ter de se mudar de Pedras Salgadas para o Porto, uma das suas cidades favoritas. Gravou uma maquete, enviou para a actual editora e depois de muito empenho, assinou o tão desejado e merecido contrato.

Agora, 4 anos depois, editou já dois singles e, em breve, lançará o seu primeiro álbum.

Pop é o estilo que define o trabalho de Gonçalo, tem como referências John Mayer e Ed Sheeran, num registo nacional, Miguel Araújo.

Quando lhe perguntámos o que mais prazer lhe dá nesta profissão, enumera três momentos: o da fase de criação, todo o processo que envolve a concepção de uma música e o mistério inerente ao antes e ao depois, isto é, da inexistência até à existência vivida e partilhada; o segundo momento refere-se ao trabalho no estúdio, uma descoberta que tem vindo a fazer e que o apaixona a cada dia que passa, sente vontade de aprender e embrenhar-se neste universo de cantautor que é o seu e, por fim, aquele que representa uma explosão máxima de adrenalina, aquele onde o feedback é imediato e avassalador: os concertos. Conta que o concerto que deu na sua terra Natal, em Vila Pouca de Aguiar, foi intimidante, mas absolutamente incrível e que nada se compara a ouvir a plateia, a sentir que um mar de gente o queria lá e cantava consigo o seu primeiro single.

Uma reviravolta repentina e profunda, que acima de tudo, envolveu coragem, paixão e o apoio incondicional da família.

Ser músico pressupõe uma exposição pessoal gigante, quer seja através das suas letras, do timbre, da mensagem em si, quer seja da sua imagem. Um processo de construção pessoal e profissional que se vai alicerçando a cada desafio que encontra e ultrapassa.

Não hesitou em afirmar que é aqui que quer estar, é aqui que se sente feliz e completo, e se possível, pretende conciliar a sua carreira a solo com a produção musical que já vai fazendo no seu estúdio no Porto.

Tenho os pés bem assentes no chão, as probabilidades de que algo corra mal são sempre grandes, mas, por pequena que seja, existe a possibilidade de que isto corra bem e vou lutar por isso!

Ler Capítulo 2

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