Carolina Castro

Carolina Castro

Aquela atitude rocker, effortless mas uber-cool respira-se a léguas!

Encontramo-nos pela primeira vez e a sensação foi a de rever uma amiga, na realidade, diversas amigas, porque aproveitámos sempre para pôr a conversa em dia com a Marlene Vinha- a nossa queridíssima make up artist do Porto e com a maravilhosa Dulce Daniel. Enquanto a Marlene nos fascinava com a sua mestria e delicadeza, apesar de nos encontrarmos nas supostas dolorosas e primeiríssimas horas do dia, o non-stop chatting mode estava ao rubro.

De eyeliner preto, orange lipstick e ondas naturais sob um fundo platinado que queremos agora, Carolina passava perfeitamente por uma deusa do rock da década de 80 que poderia, eventualmente, figurar ao lado de uma das fotos de culto de Debby Harry.

De gargalhada fácil e easy-going, conduziu-nos até ao seu porto seguro. Foi aí que ficámos a saber que a palavra parar não faz parte do seu código de conduta. Bem pelo contrário, é uma empreendedora assumida.

Apesar de não ser natural do Porto, fala com tamanho orgulho e paixão das pessoas e da cidade em que vive, que não nos levaria a mal se a intitulássemos de portuense de coração.

Estávamos no Porto, numa tórrida manhã de Outono. #quemdiria

 

Texto: Margarida Marinho

Fotografia: Dulce Daniel

Maquilhagem e Cabelo: Marlene Vinha

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Carolina

Passeávamos por um quarteirão muito especial, uma série de ruas e cruzamentos onde se respira uma corrente criativa contagiante. Não admira que porta sim, porta não, sejamos presenteados com galerias de arte, lojas muito cool e espaços must see na cidade do Porto. Uma mistura interessantíssima entre um Porto tradicional e cheio de alma e um Porto contemporâneo, com um twist underground e do mundo. Um hub criativo que culminaria no prédio que Carolina partilha com uns vizinhos para lá de especiais.

Descreve o seu endereço como uma comunidade de amigos e de criativos, que partilham um molhe de chaves e que estão distribuídos por diferentes pisos. Há portas, sim, mas a finalidade é meramente simbólica.

Ao longo da viagem até sua casa, Carolina falou-nos sobre os seus diversos projectos… impunha-se saber de onde vinha tamanha vontade e visão.

A resposta? De berço, mais precisamente do exemplo de vida dos pais. Desde pequena passava muito tempo na fábrica de móveis de cozinha do pai ou na confecção onde a mãe trabalhava e arranjava mil e uma coisas para se entreter. Fazia desenhos, tirava as medidas, pedia para construir peças, recolhia etiquetas e ia dando vida aos seus projectos numa escala pequena, porém auspiciosa.

Essa energia e vontade persistiram. Saiu de Famalicão e foi para o Porto estudar Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes. Terminou o curso e daí até começar a trabalhar foi um pulo. Em paralelo, sempre manteve projectos pessoais que lhe permitiam chegar a casa, a título de hobbie, entreter-se, como gosta de dizer. Nos seus tempos livres, aqueles em que não estava com o seu núcleo duro de amigos ou a trabalhar, Carolina transformava os seus momentos de delicioso ócio em momentos de criação e prazer.

A ligação com a moda, que vinha já das suas vivências de criança, trouxe-lhe o à vontade necessário e o know-how inicial. Começou por desenhar uma linha de t-shirts, seguiram-se algumas tote bags e, por intermédio de alguns amigos, começou a expor o seu trabalho no mercado de Porto Belo.

Foi o acaso que a levou até ao seu projecto actual e à sua grande paixão.

Conta que estava a trabalhar, quando decidiu incluir os óculos de sol que trazia na oferta de produtos para venda… nem 10 minutos estiveram expostos.

Aí fez-se um click! Carolina apostaria numa curadoria de óculos de sol vintage… o sucesso foi imediato! A essa onda positiva, juntou persistência e o bom gosto, a sua veia empreendedora e as suas skills de designer para ver nascer a sua big crush: Darkside eyewear.

De acessórios mais ou menos banais, os óculos de sol passaram a acessório de culto que, para além de uma acção revigorante trazem a possibilidade de nos reinventarmos a cada novo formato, cor ou estilo.

Para Carolina, são objectos que pressupõem um investimento e, como tal, mais do que seguir tendências e moda, o seu objectivo é criar peças com um equilíbrio entre o clássico e o contemporâneo, que possam viajar de geração em geração sem perderem a actualidade e o valor.

O quarto é um dos seus spots de trabalho favoritos, as primeiras horas do dia são normalmente passadas lá, numa mistura entre momentos de criação e inspiração com momentos de troca partilhados com uma companhia de anos muito especial.

Ler Capítulo 1

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A moda e a Carolina

Revisitando a descrição que fizemos, Carolina tem um je ne sais quoi muito especial, uma fusão dos 80’s com uma delicadeza do olhar e uma força no seu jeito descomplexado e relaxado.

A Moda é a sua praia mas, ao contrário do que seria de imaginar, não vai atrás das tendências, pelo contrário… diz que não compra, apenas substitui e é fiel aos seus favoritos. Adora bucket bags e, quando estão em alta, aproveita para substituir uma ou outra que já precisa de reforma ou para se perder com algum exemplar do formato que ainda não tenha no closet.

Para si, a moda não funciona como uma extensão da sua personalidade. Metaforicamente falando, afirma que não é comparável a uma tela em branco e que a moda funciona como uma moldura para algo de verdadeiramente diferente e especial: a obra-prima que são a personalidade e individualidade de cada pessoa.

Os 30 trouxeram-lhe a segurança e o autoconhecimento que permitem, embora ainda nas primeiras casas desta nova década, dizer que se conhece cada vez melhor, que sabe o que quer e para onde quer ir….

E tal como quando iniciámos este texto… isso sente-se!

Ler Capítulo 2

© 2017 L Manifesto

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