BEAUTY TALK: Lola Cruzeiro

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BEAUTY TALK: Lola Cruzeiro

por8 Fev 2017 lmanifesto

Olhar doce, rosto de porcelana quase “nabokoviano”, tão perfeito para alguém que se chama Lola. É esta a impressão visual que temos da portuguesa radicada em São Paulo. Numa breve, mas intensa passagem por Lisboa, Lola Cruzeiro falou connosco e o resultado foi um desfiar de desconstruções de teorias sobre batons vermelhos, e demais comparações de rotinas de maquilhagem, entre os dois pólos geográficos.

 

Texto e Fotografia: Soraia do Carmo

Lola Cruzeiro esperava por nós num café dinamarquês, no centro de Lisboa. Com este mote era bastante óbvio que a pluralidade iria pautar o nosso diálogo subsequente. E, assim foi.

Ouvir as histórias da Lola é estar perante o reflexo de duas realidades: a do país de origem, Portugal, e da cidade “do outro lado do planeta” que adoptou como Lar. Há cerca de cinco anos, o Amor fê-la sair de Portugal e estabelecer-se em São Paulo, no Brasil. Lá, conta que começou do zero, mas o horizonte desconhecido e uma cidade de dimensões colossais não a desmotivaram, e acabou por tornar um hobby português numa opção viável de carreira, no mercado brasileiro.  “Em Portugal já fazia algumas coisas para a revista Parq. Uma amiga minha era directora criativa, e chamava-me para fazer produções. Então, fui ganhando experiência. Em São Paulo comecei a trabalhar na Farfetch… Costumo dizer que foi um curso em moda brasileira. Pois tive de conhecer as marcas brasileiras, os tecidos e acabamentos, como é que a marca funciona… Às vezes, até explorava o próprio marketing da marca, e os representantes seleccionados pela mesma. Foi o melhor que me podia ter acontecido. Não só ganhei experiência em styling, como trabalhei numa empresa onde a conversão é importante. Tinha de ser rápida e eficiente, e isso deu-me muita experiência nessa área!”

Foram dois anos dedicados ao E-Commerce até decidir que queria começar a trabalhar como stylist, em regime freelancer, que é o que faz actualmente.

Lola está no epicentro da moda brasileira e esse é, definitivamente, a "área-habitat" dela… Aliás, tanto a moda como a maquilhagem, o tema ao qual passámos rapidamente, enquanto os cappuccinos à nossa frente desapareciam.

Neste ponto, Lola tem muito a relatar porque mudar de país implicou mudar… Tudo!

“Bom, a primeira coisa que mudou foi a minha pele. Deve acontecer com toda a gente que vai para lá! A pele muda por causa da alimentação, pois os nossos hábitos alimentares passam a ser diferentes. E, muda também por causa da água… Por exemplo, neste momento não é aconselhado beber água da torneira em São Paulo, devido a um período de seca que prejudicou a qualidade da água nos reservatórios da cidade. Portanto, tudo isto afecta a nossa pele… O que noto agora: O meu cabelo, e a minha pele, quando estou em Portugal ficam muito melhores. A minha pele era normal, porém, desde que cheguei ao Brasil passei a ter acne. E, os produtos que levei comigo deixaram de funcionar, e tive de ir ao dermatologista. Tive mesmo que começar do zero. Deitar fora tudo o que tinha, e comprar novos produtos na farmácia. Lá é frequente ir às chamadas farmácias de manipulação, isto é, o dermatologista dá a receita para um creme e mandamo-lo fazer na farmácia.”

E, se a pele sofre alterações também a rotina de maquilhagem sofre em consequência:

“Sempre me maquilhei, sempre gostei de me maquilhar.

Quando cheguei ao Brasil tinha muitas sombras de olhos em stick, sombras cremosas que não funcionam no clima de lá!

Eu não usava primer, e hoje em dia uso tudo, primer para rosto, olhos, lábios, porque o clima é muito quente, praticamente o ano inteiro! E, a partir de finais de Outubro até Março, há mesmo muito calor e humidade… Ou seja, maquilhamo-nos de manhã, e ao sair de casa e enfrentar, uma média de 28 graus, começamos a sentir que a maquilhagem está a escorregar pela cara, e regra geral, está mesmo a escorregar pela cara! Então, os produtos que funcionavam connosco deixam de funcionar… No Brasil já não uso lápis de olhos, por exemplo. Agora tenho de usar eyeliner líquido.

Em relação aos batons… Sempre gostei de batons com algum brilho, sou viciada em batom hidratante, por exemplo, tenho vários espalhados por todos os bolsos dos meus casacos e malas! Sempre gostei da sensação de lábios hidratados, porém no Brasil, tive de mudar para batons matte porque se fixam melhor nos lábios e aguentam mais tempo.

Mas mais coisas mudaram, eu não usava pó… Mas, passei a usar pó solto para fixar a maquilhagem. Se pensar nisso, o meu processo de maquilhagem era muito mais simples. Hoje em dia, a minha rotina de maquilhagem ganhou mais produtos e, consequentemente, mais passos a seguir. Em relação à limpeza de pele… Aconteceu a mesma situação! Tive de apostar em produtos para peles oleosas… Agora apenas uso produtos que retirem brilho.”

Mas, com a mudança veio aprendizagem, beber influências da alma feminina de um país tropical.

 “Sempre gostei de usar batom vermelho e rosa, porque sou muito clarinha, tenho olhos verdes, então acho que realça.

Comecei a arriscar mais em relação à cor… Há uns anos atrás ficava pelo vermelho clássico. Mas, depois comecei a experimentar vermelhos mais alaranjados, vermelhos mais abertos. Comecei também a arriscar com rosas neon. Acho que comecei a fazer isso porque eu reparei que no Brasil as mulheres fazem uma maquilhagem muito mais pesada, em comparação com a generalidade das europeias. Elas usam muito os batons com cores extravagantes, verdes e azuis, inclusivamente! No Brasil há uma variedade de tons de pele incrível, e os tons do baton sobressaem muito!”

Por esta altura, já nos imaginávamos num dia de Verão, com mais uns graus celsius, e batom coral neon nos lábios, principalmente a autora deste texto, que tal como a Lola “pré-Brasil” também não sai da zona de conforto dos vermelhos e rosas. Uma incursão até aos tons tipo Oxblood  profundo é um genuíno rasgo de audácia. Mas, continuando… As lições de estilo das brasileiras entranharam-se, de tal forma em Lola, que já é quase one of them“Elas ajudaram-me a descobrir as marcas brasileiras... Eu adorei descobri-las e sou consumidora de algumas. Quem disse Berenice, por exemplo. Os produtos são muito bons, e já me aconteceu estar a usar um batom dessa marca, e as minhas próprias colegas brasileiras me perguntarem de onde é a cor do batom! Ficam sempre surpreendidas quando digo que é de uma marca nacional!”

E, quanto a cores de baton favoritas?

“A nível do vermelho, neste momento, o meu favorito é um da Mac, da coleção da Charlotte Olympia. É o que tenho aplicado agora, e é o meu vermelho good-to-go.

Para além desse, adoro o Ruby Woo, o clássico vermelho da Mac.  Já no campo dos Rosas… O que uso mais é um stick matte da Revlon. São os três que mais uso. Recentemente, comprei um da Mac que é o All fired up que é uma mistura entre vermelho e rosa.”

Despedimo-nos da Lola, que entretanto já regressou a São Paulo. Provavelmente, voltaremos a encontrá-la dentro de uns meses, numa próxima visita à terra natal. E, podemos apostar que continuará com o mesmo olhar doce, beleza quase “nabokoviana”… E, lábios vermelhos ou rosa!

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