MOTHER OF BOY: Diana Bastos

Boyhood

MOTHER OF BOY: Diana Bastos

por25 Jan 2017 lmanifesto

Na semana em que abordamos o universo masculino e a doce e eterna infância dos rapazes, sentimos a necessidade de fazer um rewind, de ir ao encontro das origens destes tão singulares e tão amados “seres”. Precisávamos de tirar teimas e ouvir o ponto de vista de quem realmente “sabe das coisas”. Ouvir uma opinião válida, especial e vivida!

Ninguém melhor do que uma Mãe para nos passar uma ideia fiel do que implica cuidar e criar um rapaz, nos dias de hoje!

Cada criança tem os seus ritmos, a sua personalidade, maneiras de ser e de estar… haverá, de facto, assim tanta diferença entre criar um baby boy ou uma baby girl?

Com toda a responsabilidade que implica, o papel de uma mom of boys é o de educar os homens de amanhã. Será, também, a sua conduta e opiniões que, drasticamente, influenciarão o comportamento dos futuros homens e o seu papel na sociedade. Wellnot easy!

Diana Bastos, fashion editor da Revista Máxima e mãe do pequeno Abel, abriu as portas da sua casa e falou sobre estas questões, sobre a experiência de ser mãe, da sua responsabilidade e, acima de tudo, da felicidade que sente ao ter, a seu lado, uma criança super querida e especial!

Quando entrámos, no apartamento de Diana e Gonçalo, fomos recebidos por Diana e por um olhar envergonhado do morenaço de cabelos encaracolados mais fofo de sempre!

Compreendemos que não é fácil ver 3 miúdas desconhecidas a entrar na fortaleza que tão vigorosamente defende! Mas, como ótimo anfitrião que é, não demorou a baixar a guarda e a mostrar os seus mais preciosos brinquedos!

Meanwhile, a conversa fluía!

 

Começámos, naturalmente, por fazer a pergunta da praxe…

Naqueles momentos em que se imaginava no papel de mãe, Diana pensava que teria uma menina! Quiçá, por influência da sua profissão e porque acreditava ser mais fácil e que os interesses em comum seriam maiores!

 

Nada disso importa quando percebes que é um bebé saudável mas que nem sempre é essa a regra. Como trabalho na área da moda, achava que queria ter uma menina, para brincar às bonecas, vestir-lhe vestidinhos e fazer tranças no cabelo. O que não faz muito sentido porque eu nem sequer gosto de cor-de-rosa, não sou a favor dos papéis de género e acho triste que exista uma secção baby boy e baby girl. As t-shirts azuis com números ou cor-de-rosa com brilhantes, tiram-me do sério! O que adoro é que o meu filho tenha sentido humor e seja bem-disposto. Ironicamente a primeira cor que aprendeu a identificar foi o azul.

Being a mom is...

A grande responsabilidade de criar outro ser humano. A sua felicidade está durante muito tempo directamente ligada às tuas acções. Quando o Abel nasceu não conseguia parar de pensar nisto: nós (o Pai e a Mãe) decidimos que queríamos ter um filho. É, portanto, da nossa responsabilidade que a sua existência seja o mais feliz e confortável possível. Temos a obrigação de lhe dar todo o amor, tempo e o melhor que esteja ao nosso alcance. Em resumo: é o mais difícil e mais divertido papel que podes ter na vida.

Hoje em dia o papel da mãe mudou muito. És uma working mum, numa área extremamente exigente. Consegues gerir tudo?

Esse é um balanço difícil, mas aprendi a gerir o meu tempo e a definir prioridades.

O melhor que lhes podemos dar é estarmos presentes, e com um sorriso. Lavar os dentes é mais divertido se for na brincadeira. Na creche uma vez disseram-me que o Abel não levava nada a sério tudo para ele era uma brincadeira, e eu pensei “Missão cumprida!”.  Temos (eu e o Abel) a sorte de ter o MELHOR Pai na nossa vida, todo esse equilíbrio não seria possível sem ele. É muito diferente ser uma mãe trabalhadora agora ou há 20 anos, as mães trabalhavam mas muitos pais não estavam nem aí para a vida familiar. Hoje a regra é ter um pai participativo e a exceção um pai ausente.

 

Achas mais fácil educar um menino? A tua maior dificuldade até agora?

Acho que em termos educativos, as dificuldades são as mesmas. Ensiná-los a distinguir o certo do errado, e ter de o fazer sempre, mesmo quando estamos cansados.

Quais são as vossas brincadeiras favoritas? O que mais gostas de fazer com ele?

Tudo! Tudo com ele é divertido. Ouvir música, cantar e dançar, não sei se é o que ele gosta mais, se calhar fá-lo para me agradar porque eu adoro. Vamos também muitas vezes para a quinta da minha mãe, onde colhemos fruta das árvores, regamos os legumes da horta, damos passeios com os cães, e damos de comer aos cavalos. Dar-lhe essa ligação à natureza é um privilégio. Mas, de todos, o meu momento favorito a sós com ele é quando lemos a história antes de dormir.

 

Adoras dar-lhe beijos, rebolar com ele... quando te imaginavas como mãe, vias-te assim? Como te definirias neste novo papel?

Não era muito beijoqueira ou carinhosa, mas com ele é impossível. Agora, o que realmente me surpreendeu, foi conseguir acordar antes das 8 horas, às vezes antes das 7, com um sorriso e, mais incrível, ao fim de semana! Existe um domingo na vida dos pais em que se descobre que, infelizmente, o Kaffeehaus só abre às 11h: o dia em que às 9h

Como mãe de um futuro homem, consideras que tens uma responsabilidade muito grande em mãos? Falo na perspectiva de vivermos numa sociedade patriarcal, infelizmente ainda assente sob o jugo da desigualdade de géneros...

 

Falo nisso muitas vezes! Está mesmo nas nossas mãos (Pais e Mães) mudar a maneira como eles vão pensar e agir. Eles são o espelho do que vêm em casa, ensinamos o que somos, não o que sabemos. Por isso, na verdade, não precisas de ter atitudes pensadas, basta que a tua vida e filosofia familiar reflicta e se baseie numa dinâmica moderna, porque os teus filhos vão ser o reflexo dessa filosofia. Eu cresci numa família moderna por isso incomodam-me muito todos os gestos de machismo.

É frequente as mães de meninos relatarem que existe um sentimento de protecção muito grande (serás para sempre uma princesa guardada por dois grandes soldados)... Reconforta-te?

Sou extremamente mimada pelos dois. Verdade! São ambos muito protectores. Acima de tudo, reconforta-me saber que esta viagem não será certamente calma ou enfadonha. Os rapazes são mais descontraídos, a vida é mais leve na sua visão, é bom ter esse balanço. Quando eu estou mais séria, eles contrariam-me.

Para terminar, chegar a casa e vê-lo... o que sentes?

O coração cheio! É o melhor do dia e da vida.

© 2017 L Manifesto

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