Anne Sophie Costa é um dos nomes com mais hype na moda londrina. A Make up Artist nasceu em Portugal mas, é fora do país que está a deixar um rasto de talento e criatividade.
No portfolio conta com publicações como a Elle UK, Harper's Bazaar UK, I-D ou Dazed & Confused e, um corpo de trabalho que transcende o propósito comercial e entra na esfera da Arte.

Como nasceu o interesse pela área da Maquilhagem?
O meu interesse pela maquilhagem despertou quando eu tinha, por volta de 12 anos. Foi quando vi a Pat McGrath, na Fashion TV, a trabalhar num desfile da Gucci. Lembro-me de ter pensado que adoraria fazer aquele trabalho. Mas, sempre achei que seria um mundo inatingível, visto que, naquela época, vivia no meio dos montes alentejanos.
Desde muito nova que me interesso por cor, canetas, lápis, tintas, diferentes tipos de papel... E, pincéis!
Depois de ter frequentado Artes no Liceu, entrei no curso de Design Gráfico, no IADE. Para mim foi uma experiência incrível, e tive, finalmente, oportunidade de me explorar criativamente. Tive professores óptimos que me abriram a mente e alimentaram a minha veia artística.
Durante o curso do IADE, comecei a fazer trabalhos de promotora, para ganhar algum dinheiro. E, porque era divertido conhecer, ainda mais gente, visto que era nova na cidade de Lisboa. Foi então, que um dia, fiz uma promoção para a L'Óreal. Fui para o Algarve durante três dias e, foi aí, que conheci a talentosa maquilhadora Joana Moreira. Foi ela que viu "algo em mim", quando ambas nos deparámos com uma situação de pressão: Ela, porque estava ocupada a maquilhar cerca de 300 raparigas, e eu, porque vi uma das miúdas a ter um ataque de pânico pois não queria entrar em palco sem usar, pelo menos, um anti-olheiras! Eu, feita Madre Teresa de Calcutá, disponibilizei-me a ajudá-la e, no mesmo segundo, a Joana Moreira olhou para mim e disse: Boa ideia! Eu passo-te as coisas e tu fazes.
Assim foi! Maquilhei a miúda, sem ter qualquer noção de maquilhagem, mas a Joana Moreira foi-me dando direcções de como aplicar os produtos. No final do dia, veio ter comigo e perguntou-me se eu não queria ser assistente dela! Depois do convite feito para ir quatro dias para a Moda Lisboa assisti-la, para ver se me poderia interessar pela área, foi amor à primeira vista. Foi então que fiz o curso com a maravilhosa Antónia Rosa, e nunca mais parei, desde aí. Mesmo depois de terminado o curso de Design gráfico, a maquilhagem foi-me chamando...

Entretanto decidiste mudar-te para Londres. Já tinhas objectivos concretos de construção de carreira, na área da maquilhagem, quando o fizeste?
Tinha alguns. Sei que queria assistir Big Make up Artists, nos primeiros anos. Tinha muita sede de aprender mais, queria dominar mais técnicas, e queria aprender a reproduzir, de forma criativa, o que tenho dentro de mim. Visto que Londres é conhecida pela liberdade na expressão da criatividade. Tenho a sorte de dizer que faço, o que faço, por amor à camisola. Ou seja, vim para Londres não à procura de trabalho, mas sim, de construir uma carreira! Naquela altura, já sabia onde queria chegar. Atingi todas as metas da minha lista, há três anos atrás, e agora, tenho novos objectivos, nos quais estou focada.


Como começaste a progredir na cena londrina? Foi fácil conquistar os primeiros trabalhos de maquilhagem?
Tenho de confessar que não! Foi péssimo. Basicamente, o meu portfolio aqui não valia Nada! Tive que começar do zero. E, é horrível estar numa cidade nova, sabendo que podia estar em Lisboa a trabalhar todos os dias, em vez de estar encerrada em casa a enviar emails num inglês muito básico. Literalmente, a remar contra a maré. Aqui há milhares de pessoas. Tem que se matar um leão por dia.
Não sabia falar inglês. Mal tinha para comer. Ainda assim, consegui encontrar um part-time, onde aprendi a falar muito bem inglês. E, enquanto trabalhava voltei a assistir maquilhadores. Com o tempo, fui-me soltando do parti-time job, comecei a ter clientes regulares e, com o tempo, a minha lista de clientes voltou a crescer. Entretanto, seis anos se passaram…

Como tem sido a solidificação da tua carreira, em Londres?
Tem sido progressiva. Com calma e sem pressas. Tudo a seu tempo. Algumas coisas boas já vieram, nomeadamente trabalhar com boas revistas: Another, Commons & Sense Man, Dazed & Confused, Elle Uk, Harper’s Bazaar UK, RU, Polska, GQ Style China, Garage, Hero, i-D, Jalouse, L’officiel Hommes Italia, L’officiel Italia, Lula Japan, Man About Town, Metal, Numéro Tokyo, Novembre, Pop, Reedition, Tank, Tatler, Vman, Wallpaper. Assim como, alguns bons clientes: Adidas, Alex Mullins, Asos, Anthropology, Belstaff Emilio de La Morena, Faustine Steinmetz, Finery, House of Hackney, Jaeger, Marques Almeida, Matches Fashion, MCQ, Monki, M&S, Nike, Revlon, Rimmel, Schwarzkopf, Stephan Schneider, Sunspel, Topshop, Urban outfitters, Warehouse. Mas, continuo a esforçar-me, a crescer pessoal e profissionalmente, todos os dias. O trabalho sempre paga de volta.
As redes sociais deram um boost na amplificação do teu trabalho?
Médio. Aqui as coisas funcionam de uma outra forma. Podes até ter um milhão de followers, mas se não trabalhas com as pessoas certas, não estás na industria. Conta Zero.
Como definirias o estilo do teu corpo de trabalho, enquanto maquilhadora?
Enquanto maquilhadora defino o meu estilo entre a Art & Commerce. O meu estilo nasceu da necessidade de ser criativa mas, também, da necessidade de “vender”. Posso ser glossy, ou posso ser artística porque, felizmente, tenho as duas bases e é isso que sou.


E, em relação à forma como te vestes? Tens várias influências no teu estilo pessoal!
Quando estou a trabalhar, o meu estilo depende do cliente e do trabalho que faço. Há dias em que tenho que ir super sharp! São clientes grandes, tenho que estar super bem apresentada, usualmente de preto, para não dar nas vistas, visto que trabalho no backstage de filmagens. Porém, com clientes com quem já tenho alguma empatia, vou mais desportiva, com ténis, um pouco mais ninja!
Porém, no que diz respeito ao meu estilo pessoal no dia-a-dia, diria que sou sporty, spice girls, 90’s, ninja classic. Depende dos dias e das ocasiões, mas vai muito dentro desses estilos, sem nunca esquecer o preto, dos meus tempos de punk gothic.

Também pintas... É uma paixão recente? Ou, é mais uma extensão da tua veia artística?
Confesso que não pintava, há pelo menos 15 anos. Mas, é sempre algo que me tem acompanhado no meu subconsciente. Um dia, em conversa com um bom amigo, ele diz-me: não penses, vai comprar as coisas e começa a pintar. Assim o fiz, sempre quis pintar para alargar a criatividade, para aprender novas técnicas que poderei introduzir no meu trabalho como maquilhadora. É uma paixão, mas também, uma extensão do meu trabalho e do meu eu.
Planos para o futuro?
Tenho alguns goals. Mas sem planos. Vamos ver o que a vida me trará. O único que sei é continuar trabalhar para concretizar os sonhos.


Imaginas-te a voltar para Portugal? Ou o teu futuro passa mesmo pelo estrangeiro?
Estive agora em Lisboa, nestes dias de festividades natalícias. Foi bom estar no Sol, na praia, com a minha família humana e canina. Porém, quando cheguei a Londres, ao sair da porta do avião, deparei-me com um nevoeiro que pairava no ar e esbocei um sorriso de: “Honey I am home!". Uns dizem - “You have had become a Londoner now, there's no turning back”. Não sei, ainda, o que isso quer dizer. Mas, entretanto, não tenho planos para regressar a Portugal, a não ser férias de Verão, como já é da praxe. Tenho planos de ficar baseada em Londres e poder fazer a ponte entre Paris e NY, para trabalhos futuros. Ainda agora tudo começou!