Andreia Gomes

Andreia Gomes

Olhar verde, profundo. Rosto anguloso, de linhas perfeitas que exaltam ainda mais a beleza misteriosa que a caracteriza e que, habitualmente, se encontra envolvida pelo degradé dourado de um bob assimétrico.

Falamos de Andreia Gomes, talvez a conheça mais por Driziinha do Blog DConcept.

É frequente seguirmos o perfil de algumas influenciadoras/instagramers, desconhecendo, muitas vezes, o seu verdadeiro percurso, o caminho que construíram e que lhes permitiu conquistar a nossa confiança, e muito menos, sabemos o que fazem quando estão offline. Esta semana deitamos por terra esta “falsa sensação” de que conhecemos estas digital stars e revelamos um pouco mais da sua vida, dos seus interesses e dos seus projectos.

Pessoas inspiradoras, sim, mas não apenas no que se refere ao estilo.

Encontrámo-nos com Andreia no seu apartamento e daí seguimos para o Panorâmico de Monsanto numa manhã estranhamente nublada de Verão. Either way, a manequim era incrível e a sessão apenas reflectiu a beleza, a serenidade e sensualidade super cool da nossa convidada!

Andreia Gomes, bem-vinda, ao L Manifesto!

 

Fotografia: Maria Rita

Texto e Produção: Margarida Marinho

Maquilhagem e Cabelos: Joana Bernardo

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Dri

Para além da beleza, as suas fotos espelham uma serenidade que se sente e se respira. Algo que nos dá a impressão de que o mundo poderia estar a ruir, mas, apenas com a força do olhar, Dri conseguiria transmitir segurança ao ponto de nos fazer acreditar que escaparíamos dali com vida e com direito a um happy ending digno de um fairytale. Ao longo da conversa fomos juntando as peças e entendendo o porquê. A sua voz, aveludada, num ritmo pausado e doce, ainda mais contribui para esta sensação.

Andreia é enfermeira nos cuidados intensivos. Como se a profissão em si não fosse suficientemente stressante, Dri escolheu uma área que frequentemente a expõe a casos difíceis e desgastantes com desfechos, por vezes, infelizes. No entanto, a sua perspectiva não é tão negra quanto a nossa. Dri foca-se nas partes boas e na vontade que tem de melhorar e ajudar a vida de alguém, com todas as suas forças e de todas as formas que estiverem ao seu alcance.

Adora o que faz. Sente-se verdadeiramente realizada, e de toda a responsabilidade e tarefas inerentes a esta profissão, é peremptória quando lhe perguntam o que mais prazer lhe dá:

Cuidar das pessoas, é mesmo o que mais gosto. Sempre gostei, talvez por ser a única rapariga no meio de dois irmãos, sendo que um deles é o meu gémeo. Acho que se prende muito com o que me foi incutido em criança, com a minha educação.

Quando tomou a decisão de seguir Enfermagem, deixou a família incrédula. Estava no Agrupamento de Ciências, mas nada indicava que esse fosse o seu caminho.

A minha família não queria acreditar. Talvez porque sempre fui um bocado impressionável, mas a verdade é que estava em ciências e, na altura, ainda havia imensa oferta de trabalho na área o que faria com que a entrada no mercado de trabalho estivesse de certa forma garantida. Arrisquei e não me arrependo.

Os três primeiros anos foram difíceis. Cada novo estágio era sinónimo de uma nova adaptação, de ter de sair algumas vezes das salas por quebras de tensão ou náuseas. Mas desistir nunca fez parte da equação.

Não acredito nada naquelas filosofias que proferem que existe uma queda para isto ou para aquilo e que a influência genética é uma condicionante. Acho que as pessoas adquirem competências ao longo da vida, com trabalho e treino e foi o que aconteceu comigo.

A partir daí estava tudo mais do que controlado, a experiência deu-lhe as defesas necessárias para enfrentar o dia-a-dia da sua profissão e a certeza de que era aqui que queria estar. Terminou o curso e ainda hoje exerce com a maior vontade.

A experiência da maternidade [sim, Andreia foi mãe há cerca de um ano de uma bebé linda, super simpática e que nos fez derreter o coração, chamada Caetana] foi responsável por mudanças extraordinárias, avalanches emocionais com as quais vai aprendendo a lidar, mas que afirma que mudaram a maneira de ver e sentir o mundo, e as pessoas, e que, em determinados aspectos, alteraram a sua “imunidade emocional”:

Hoje em dia, depois de ter sido mãe, há determinadas situações que me tocam mais e me sensibilizam. Tento sempre colocar-me no papel de quem lá está… poderia ser um primo meu, um tio, um irmão, um filho. São situações que, por mais que tentemos criar uma barreira emocional que nos permita conviver e trabalhar com aquela realidade diariamente, é impossível não deixar que nos afecte.

Ao mesmo tempo que sentia que gostava de cuidar, diz que, desde cedo, o seu espírito empreendedor a incentivava a idealizar projectos a título pessoal, projectos seus onde pudesse mostrar a sua visão sobre outras áreas de que gosta. O facto de estar desde muito cedo ligada a áreas mais exactas, não fez com que deixasse de desenvolver a sua visão e a sua criatividade.

Brinca e diz que, nos primeiros encontros com os amigos do seu marido Pedro, ou até com outras pessoas, sempre que tentavam adivinhar a sua profissão, inseriam-na, frequentemente, na área artística. Talvez pelo seu estilo e gosto com que o exibia ou pela sua sensibilidade.

Tudo foi acontecendo naturalmente e sem grandes programações. Durante um ano, o seu actual marido aceitou uma proposta de trabalho em Angola e Dri viu-se com algum tempo-livre extra que decidiu aproveitar. Passou das ideias à prática, ou não fosse a nossa convidada uma pessoa focada e determinada.

Não se considera uma criativa, é certo, mas gostava de moda, sentia uma sensibilidade e aproximação naturais e quis aprofundar algumas skills. #mindsetmatters

Ainda antes de lançar o blog e, sem conhecer pessoalmente Maria Guedes, aka Stylista, não teve qualquer tipo de pudor e pediu alguns conselhos sobre qual a melhor forma de começar.

A resposta? Estudar na Pulp Fashion Productions, a Escola de Susana Marques Pinto. Fez o primeiro curso, de Consultoria de Imagem, do qual assume ter retirado inúmeros ensinamentos e ferramentas base, mas, por outro lado, achou a área muito assente sobre regras, medidas, padrões, um pouco ao contrário da forma como normalmente gosta de interpretar a moda.

Não sou assim, aliás, tenho a perfeita noção de que me visto contrariando completamente essas regras. Visto aquilo de que gosto.

Não ficou por aqui. Continuou e tirou o curso de Produção de Moda e, aí sim, Andreia encontrou definitivamente uma área onde se via a mergulhar e explorar. Ainda no decorrer do curso, desenvolveu alguns trabalhos que acabou por publicar no seu blog.

Chegámos a um dos pontos principais, como surgiu a plataforma DConcept? Por acaso. Na expectativa de conseguir conciliar Enfermagem com produção de moda, Dri precisava de uma plataforma para expor o seus trabalhos e o Blog pareceu-lhe a forma mais eficaz e, na altura, mais simples de o fazer.

Ainda colaborou em alguns trabalhos, com a stylist Marta Teixeira, mas as exigências da sua profissão não se coadunavam com uma eventual “licença sabática” necessária para que pudesse fazer um estágio e, posteriormente, trabalhar em simultâneo em duas áreas. No entanto, aos poucos e poucos, o blog foi ganhando seguidores e a sua presença passou a ser cada vez mais notada. Quiçá pela posição que desde cedo adoptou e da mensagem que, há mais de cinco anos, trabalha:

O blog vai (tentar) ser uma fonte de inspiração!  O meu conceito de estilo e imagem, que nada tem a ver com regras (nem com medidas de super models), vai surgir aqui de forma aventureira, arriscada e cativante! In DConcept.

Temas e visões que há cerca de cinco anos atrás seriam obviamente considerados um tanto ou quanto controversos, apesar de há muito serem contestados e falados. Porém, nos dias que correm e, também, muito graças ao trabalho e mensagens individuais destas influenciadoras, as regras do jogo foram-se alterando e determinados conceitos desmistificados dando espaço para que novas noções de beleza, de saúde e self love se elevassem e exercessem seu papel de natural relevância. #empowerment

 

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Projectos

Terminámos o capítulo anterior, precisamente num momento que revela uma franca capacidade de atingir objectivos e em lutar pelo que quer. Tudo pode ter acontecido de uma forma mais ou menos natural, mas a verdade é que as iniciativas foram dadas por uma só pessoa.

Comprometimento, determinação e foco, são três características que podemos facilmente aplicar à nossa convidada.

O blog, foi um ponto de partida. Um novo momento, uma plataforma que lhe permitia explorar todas as áreas de que gostava e, ao mesmo tempo, servir de inspiração a quem se identificasse e gostasse de a ler.

Tem uma versão inspiracional da moda, claro, mas na verdade, o que mais a cativa é a sua vertente prática, a sua aplicação na vida real. Assim foram surgindo as mais recentes parcerias, produtos que resultaram de necessidades suas. Exemplo disso foi o sucesso do vestido que fez em parceria com uma marca e que surgiu de uma relação que se foi construindo e da vontade de satisfazer uma necessidade muito específica:

Tinha um casamento e não tinha nenhum vestido que achasse a minha cara. Ao mesmo tempo, não tinha vontade nenhuma de gastar dinheiro numa peça que só ia usar uma vez! Então lancei o repto e, em conjunto, criámos uma peça versátil que tanto pode ser usada com uns saltos como com uns ténis, numa versão mais prática e para o dia-a-dia.

Foi uma parceria com imenso sucesso e essa acabou por levar a outras, nomeadamente, com a designer de jóias Juliana Bezerra cuja relação de amizade já se sobrepõem a qualquer outra. Juliana fez as suas alianças de casamento e, em breve, lançarão em conjunto, uma nova linha que nasceu também de uma vontade de Dri.

Mas a nossa convidada não fica por aqui, ideias não faltam e o seu próximo projecto já está em vias de desenvolvimento: projecto new home! Outra área que a apaixona, aliás, é notória a sensibilidade que existe e a linha minimalista e clean que adopta e que nos apaixona em cada foto que vamos vendo no seu instagram. A verdade é que comprovámos, in loco, a sua atenção para os detalhes, a sua mesa corrida maravilhosa e que conta que foi um dos pontos de partida da sala. Desta vez, a empreitada é mais ambiciosa, em conjunto, vão fazer renascer uma ruína. Difícil? Talvez, mas mais prazeroso, mais desafiante e no fim, totalmente apaixonante.

E é precisamente isso, Dri é uma pessoa de paixões, que não se deixa acomodar e vai à luta sem nunca pensar em desistir, este será apenas mais um projecto que se cumprirá e que vamos acompanhar religiosamente!

Obrigada Dri!

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