Cláudia Diniz

Cláudia Diniz

A Portuguese girl with a spanish touch, é assim que se descreve.

Quem a conhece, entende que a descrição assenta na perfeição. Morena, de olhar profundo, de longos e imaculados cabelos pincelados com leves nuances de um brilho tão bonito que parece propositadamente escolhido, mas é, na verdade, natural. Silhueta esguia, postura delicada e uma tranquilidade revigorante que, por contágio, nos obriga a desacelerar.

Mas, mais do que a beleza, sofisticação e um sentido estético fora do comum, é o sorriso sincero que a caracteriza.

Falamos de Cláudia Diniz, influencer portuguesa e directora da agência Luxurycomm em Portugal, que vive numa ponte aérea entre a capital espanhola e o Porto desde 2015.

Numa das suas frequentes vindas ao Norte, propusemos acompanhá-la pelos seus locais favoritos na cidade. Se já não vai ao Porto há algum tempo, prepare o seu notebook e retire algumas dicas para a próxima viagem.

 

Produção: Margarida Marinho

Fotografia: Dulce Daniel

Make up & cabelos: Xana Lopes

 

Agradecimento especial ao alfarrabista João Soares 

Ler Intro

13

Cláudia

Nasceu em Vila Nova de Famalicão, desde que tem memória que se lembra de gostar de moda. Brinca e revela: “A moda entrou na minha vida em 1990, quando nasci!”.

Tudo começou em criança, quando brincava com a boneca "queridinha" de todas as little girls: a barbie. É impossível ter uma noção de quantos mundos imaginários e realidades alternativas esta boneca da Mattel, criada em 1959, já ajudou a construir. Talvez seja ela uma das grandes responsáveis pelo despertar de um sentido estético e um desejo fashionista das suas fervorosas fãs: glitter, sunnies, vestidos couture XXXS, maxi acessórios, tiaras, casacos faux fur, color blocking e animal print, basicamente, entre os 3-4 anos a maioria das meninas já dominam as tendências mais clássicas da considerada “enciclopédia fashion” da actualidade. Cláudia foi uma delas. Adorava brincar com a barbie e criar as suas roupas, quiçá influenciada pela avó e pelas peças que lhe trazia de Paris durante a temporada em que lá viveu, ou ainda, pelas Vogue(s) e Marie Claire(s) francesas que pululavam a sua casa. Um vício “saudável” que herdou da mãe. Adora revistas, livros da área e faz colecção da Vogue desde os 15 anos.

Lembra-se de ouvir as histórias que a avó lhe contava, que descreviam Paris como sendo a capital da moda e do glamour, da sofisticação. Usar as peças “made in France” que lhe ofereciam, era o equivalente a um sonho, algo que lhe permitia auto transportar-se para a realidade dreamy parisiense, nas margens do Sena. Cada memória, cada foto, cada criação ou upgrade que via a avó fazer nas suas peças ou cada história que lhe contavam, influenciaram para sempre a sua vida e interpretação que ainda hoje carrega sobre a moda.

Terminou o secundário e na hora de decidir, a escolha estava mais do que feita: Marketing e Design de Moda, na Universidade do Minho.

Queria estudar moda e envolver-se em projectos criativos. Foram 3 anos intensos, cheios de trabalhos onde conseguiu participar em processos criativos que lhe deram cada vez mais a certeza de que era aqui que queria estar.

Saiu da faculdade, começou pelo atelier do designer Ricardo Andrez para, de seguida, passar por uma conhecida empresa de têxteis, em Barcelos, onde desenvolviam colecções para diversas marcas internacionais. Já com alguma experiência acumulada aliada ao seu perfil pro-activo e expedito, Cláudia lançou uma colecção de t-shirts personalizadas- A Royal Rebel London que a levou a ser destacada como jovem empreendedora do ano.

Gosta de trabalhar e não se vê parada, para si é vital chegar a casa e sentir que fez algo de diferente, importante, que acrescentou valor ao seu dia e que a fez aprender ou conhecer algo de novo.

Curiosa, destemida e apaixonada, mas muito terra-a-terra; a simplicidade com que fala sobre tudo o que a inspira, sobre o trabalho que vai desenvolvendo e sobre os mil projectos que quer realizar é desarmante e deita por terra qualquer ténue barreira que pudesse, eventualmente, existir.

Dois anos depois, e sempre com a vontade de crescer e de abraçar novos desafios, nomeadamente na área digital, ficou responsável pela gestão das redes sociais de uma Loja online multimarca e, posteriormente, encabeçou o departamento de comunicação de uma empresa que fazia a representação de marcas internacionais.

Podemos considerar 2015 como um ano decisivo. Conheceu a pessoa que a levaria a deslocar o seu epicentro emocional para o país vizinho. Se inicialmente era no Porto que estava, passou agora a dividir-se, também, por Madrid.

As viagens tornaram-se cada vez mais frequentes e, para além de adorar e se identificar com a cidade, Cláudia chegou à conclusão de que existia um mar de possibilidades de trabalho na área e que iria ter contacto com visões e perspectivas de negócio que a fariam conhecer pontos de vista desafiantes e diferentes. E assim foi, a veia empreendedora já sabia que tinha, bastou adicionar uns pozinhos de coragem e perseverança para lançar o seu próprio projecto.

Começou por fazer comunicação e gestão de redes sociais de marcas no segmento de luxo e, em paralelo, lançou o seu blog- claudiadiniz.com.

Um espaço que há muito tinha vontade de ter, uma plataforma onde podia falar sobre tudo o que a inspira, sobre as suas viagens, sobre personalidades, sobre estilo e, claro, sobre moda.

Partilhar a sua experiência, as suas opiniões e fazer uma curadoria das principais tendências, sempre com base em pesquisas detalhadas e fundamentadas, que acrescentam um twist viciante e que nos faz querer continuar a segui-la.

Mas já lá vamos. O reconhecimento do seu trabalho naturalmente apareceu, o blog começou a crescer e os convites também. Mudou-se para Madrid definitivamente e, no decorrer dos diversos trabalhos que foi desenvolvendo, foi convidada para lançar e dirigir a Luxurycomm em Portugal.

Diz que deve aos pais esta força e vontade de lutar pelo que quer, sem nunca desistir e o seu percurso é o reflexo disso. Sendo a moda a área que a apaixona e inspira, frisa que mantém sempre os pés bem assentes na terra.

Ler Capítulo 1

23

O Porto de Cláudia

Por quê a cidade do Porto? Porque para Cláudia é o seu “porto de abrigo”, é aqui que fica sempre que está em Portugal e é aqui que encontra a sua tranquilidade e recarrega energias.

Para já, faz todo o sentido ficar por Madrid, revela que se encontra numa óptima fase da sua vida e que, acaba por conseguir conjugar o melhor dos dois mundos. Quando as saudades apertam, 50 minutos de avião resolvem o problema e reconfortam o coração.

Quando chega, faz sempre questão de ver o Douro. Um ritual que lhe transmite conforto e a desperta para uma constante sensação de novidade e beleza, brinca e diz: “(…) o Douro é ouro!”.

Confessa que o facto de estar fora lhe permite voltar e ver tudo com outros olhos, dar valor aos pequenos detalhes e tirar prazer nas coisas mais simples.

Quando falámos sobre quais os locais onde gostaria de fotografar, o Douro e a Ribeira foram as primeiras paragens a surgir, seguiram-se a Baixa da cidade e a Rua das Flores. Uma zona da cidade que se desenvolveu imenso, foi requalificada e sofreu, consequentemente, um boom turístico, mas, ao mesmo tempo, manteve a identidade e registo característicos, associando-se porém, a espaços e serviços típicos de uma grande cidade europeia.

Fomos até lá e, na verdade, o ponto de encontro foi um hotel recomendado pela nossa convidada, onde já havia ficado noutras viagens: Armazém Luxury Housing. Um armazém de ferro de séc. XIX transformado num Design Hotel que prima pela existência de um equilíbrio exímio entre a austeridade do betão, do ferro e da madeira com o conforto das cores, dos tecidos e de um design minimalista. Ficámos por lá, a aproveitar os diversos e incríveis cenários que o hotel nos proporcionava. #awesomespot

Saímos e partimos para a Ribeira. Apanhámos boleia do eléctrico, que faz a linha da marginal num percurso entre o centro histórico do Porto e o jardim do Passeio Alegre. A viagem foi curta, fomos “presenteadas” com todas as possibilidades meteorológicas existentes, num só dia, e a opção “pancada de chuva” foi a escolhida para o momento. De qualquer forma, ainda conseguimos contemplar o Douro por uns breves momentos. #check

Subimos pelo mercado Ferreira Borges, até ao hotel e seguimos para um merecido break na Santini. Outro dos spots que Cláudia não queria mesmo perder, adora gelados artesanais e a combinação maracujá-frutos do bosque é a sua favorita. Confessa que é gulosa e adora apreciar uma boa iguaria, sempre que volta a Portugal, aproveita para experimentar o que de mais tradicional há na nossa cozinha, exemplo disso, são uns deliciosos rojões à minhota. Desta vez, ficámo-nos pelo gelado.

Enquanto terminávamos, passámos pela papelaria mais antiga do Porto e há quem diga, do mundo: a Araújo & Sobrinho, no remodelado largo de S. Domingos, mesmo em frente à Santini.

Descemos a Rua das Flores e fomos para a nossa última location: a Livraria do Alfarrabista João Soares. Paragem obrigatória. Já sabíamos que Cláudia adora ler, tem uma predilecção por livros que abordem a temática do auto-conhecimento, a psicologia, o desenvolvimento pessoal, para além de biografias de personalidades e, claro, revistas como a Porter, a L’Officiel Espanhola e a BOF. Bem, estas últimas, o nosso alfarrabista ainda não as terá, porém, se quiser encontrar as primeiras edições de um clássico da literatura ou edições especiais de um qualquer tema em particular, ou de uma das biografias que a Cláudia tanto adora, o Sr. João Soares saberá, com uma exactidão inexplicável, onde está essa preciosidade no meio de uma tremenda imensidão de livros. #truefact

O dia ia longo e já não conseguimos acompanhar a Cláudia, durante o jantar. No entanto, uma das suas mais habituais sugestões passa por um “peixinho ao sal”, em Matosinhos, na melhor companhia e, de preferência, a contemplar o mar. Para quem quiser outras sugestões, o Flow ou o LSD são alguns dos seus restaurantes favoritos.

Ler Capítulo 2

33

Claudiadiniz.com

Ao longo da entrevista fomos falando no quanto a moda teve um papel preponderante no percurso da nossa convidada.

Segundo as suas palavras, a moda é: "(...) algo cool, revolucionário, é arte, é personalidade e atitude, é sermos únicos e autênticos e isso também se reflecte na forma como nos vestimos!".

Quem segue o seu instagram ou blog vê uma panóplia de inspirações que conjugam de uma forma harmónica e equilibrada, as últimas tendências. Cláudia possui a mestria de desconstruir as tendências e torná-las “wearable” e adaptáveis às exigências do dia-a-dia, o que nem sempre é fácil e nem sempre conseguimos detectar nas fotos de street style ou nas catwalks internacionais.

Adoro vestir todos os estilos! Acho que cada momento pede um outfit específico! Vou criando looks inspirados nos locais onde vou estando!

Actualmente há duas tendências com as quais se identifica: Minimal e Safari, mais para a frente quando a época dos festivais bater à porta, o cowboy/western vai ser, seguramente, a sua tendência xodó.

Acima de tudo, em todas as propostas e opções de looks que apresenta, e independentemente de vestir uns leggins fuseau, um power suit ou um puffer jacket prateado, Cláudia mantém uma identidade e uma autenticidade que lhe permitem ter mais de 100.000 seguidores nas redes sociais. Não se sente, de todo, condicionada pela responsabilidade que já possui, pelo contrário, sente-se lisonjeada por conseguir ajudar a inspirar pessoas com os seus conteúdos e com o seu trabalho, uma verdade que passa a cada post ou a cada novo trabalho.

Tudo serve de inspiração, adora deambular pelas ruas, entrar em lojas de decoração, de moda, de carros, de artigos vintage, numa atitude constante de procura por coisas que possam ser interessantes para partilha e, acima de tudo, que possam inspirar.

Quando questionada sobre quem seriam os seus ícones de estilo e inspirações, é peremptória e responde:

Mulheres que, para além de um estilo inconfundível, fizeram algo revolucionário e extraordinário. Mulheres que marcaram uma época e que ainda hoje nos deixam a pensar. Princesa Diana, Gabrielle Chanel, Brigitte Bardot, Kate Moss, Iris Apfel, entre outras.

Quanto ao futuro e eventuais mudanças que possam surgir, Cláudia responde: O papel de um influencer pressupõe estar preparado para qualquer mudança, continuando a fazer um bom trabalho e sempre com uma identidade definida, sem dúvida, acredito que essa é a chave do sucesso!. #keepthegoodjob

Ler Capítulo 3

© 2017 L Manifesto

Este é o nosso Manifesto!

Um livre-trânsito para os behind-the-scene, os closets, as casas e espaços intimistas afastados dos olhares e do escrutínio do público.

ou

Ao submeter o meu email aceito receber notícias e informações sobre L’ Manifesto concordando com a Política de Privacidade.

Fechar